A UNICAMP

  “Senhores músicos, não devemos apenas seguir as notas.”
Foi com o espírito de quem entra contradizendo o maestro de “Ensaio de Orquestra“, de Federico Fellini, que entrei na Universidade. E não era para menos, tínhamos uma direção no departamento de música viciada e autoritária. Alguma coisa tinha que ser feita. Não fiz nada sozinho, mas fui uma das cabeças da fundação do CAIA (Centro Acadêmico do Instituto de Artes). Abrimos um cnpj em meu nome como representante jurídico e fui seu presidente por várias gestões. Em parceria de vários alunos que integraram nossas administrações, organizamos os alunos politicamente e demos um dos ponta pés iniciais para a derrubada daqueles que, há muito tempo, mantinham o monopólio da música na Unicamp e também na cidade de Campinas.
A construção do CAIA foi a melhor atitude que nós alunos poderíamos ter tomado. As conseqüências de nossas ações mudaram muito o perfil do departamento de música e do instituto de artes. Mas, para além do CAIA, realizamos boas produções e eventos. O MOSTRADAMUS, mostra da música com alunos, professores e convidados; e a PRIMA MAIA. Primeira Maratona Artística do Instituto de Artes, vinte e quatro horas de programação.
À Unicamp devo atribuir o grosso de meu aprendizado no que diz respeito à música e o fazer arte. Tive entre meus mestres o Almeida Prado, o Zé Grammani e o Lívio Tragtenberg.
Pude na universidade exercitar a produção cultural de forma sistemática, além de organizar os alunos politicamente em torno de um centro acadêmico.

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