O PORTO

Logo comecei a tocar em bares e a dar minhas próprias aulas para defender um troco. Fizemos muitas serenatas entre amigos apaixonados e músicos que freqüentavam a companhia do maestro George Vidal.
Este sim, meu primeiro professor. O George é dessas pessoas que possuem uma energia envolvente e uma musicalidade tão especial, que atrai uma legião de admiradores e apaixonados pela pessoa que ele é, e por sua música.

Sua escola de música em Bauru me parece uma comunidade a parte de pessoas privilegiadas, que nada mais querem do que viver intensamente tudo que a música pode lhes proporcionar. Perguntem aos irmãos Caruso ou ao Luis Fernando Veríssimo se estou exagerando.

Com o George e sua família conheci o que é essencial em MPB. Convivemos muito na nossa adolescência. Fizemos nossa primeira trilha para teatro, tocamos muito juntos em diversas situações e formamos o Grupo Porto. Claro, de MPB. Foi um grupo que fez história e deixou boas lembranças na cidade.

Pra mim, uma experiência maravilhosa que sempre me fez projetar uma perspectiva melhor ainda. O Porto foi uma necessidade inerente aos seus marujos, navegadores. Precisávamos de um porto, mesmo que não fosse seguro. Navegar, mesmo que não fosse preciso. O Porto foi autêntico, nasceu de parto natural, sem fórceps. Eu tive que partir, mas nunca desisti. Remo até hoje e com muita precisão em direção aos próximos portos. O Porto me possibilitou arriscar minhas primeiras composições. Jogou-me em alto mar. É um estado de espírito que ainda permanece em alguns de seus ex-integrantes.

 

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